27 de ago. de 2013

Cor

A escolha das cores deve beneficiar as atividades e as pessoas que utilizarão o espaço. As cores devem ser pensadas enquanto estímulo visual com alta carga imagética e emocional sobre as pessoas. Portanto, entender as cores e suas características é sem dúvida, fundamental para obtenção de um bom projeto de design de interiores.

Existem muitos estudos sobre as cores em diferentes áreas, cujo conhecimento permite maior domínio na sua utilização.

A mais antiga teoria sobre cores que se tem notícia é de autoria do filósofo grego Aristóteles. Aristóteles concluiu que as cores eram uma propriedade dos objetos. Assim como peso, material, textura, eles tinham cores. E, pautado pela mágica dos números, disse que eram em número de seis, o vermelho, o verde, azul, amarelo, branco e preto.

Em 1810, Johann Wolfgang von Goethe propôs uma teoria com nova abordagem ao uso e entendimento das cores. Desde Newton, a cor era considerada como uma disciplina da Física. As questões levantadas por Goethe ampliaram os domínios de estudo da cor, incluindo campos como o da Fisiologia e Psicologia. Outros estudiosos e artistas estudaram a cor, como Leon Battista Alberti, Leonardo da Vinci, Le Blon, Gestalt (movimento) entre outros.
Aspectos Fisiológicos  A visão é responsável por cerca de 75% de nossa percepção. Resumindo, o ato de ver é resultado de três ações distintas: operações óticas, químicas e nervosas. Os olhos são responsáveis pela captação da informação luminosa|visual e pela transformação em impulsos a serem decodificados pelo sistema nervoso. O olho é um instrumento altamente especializado e delicadamente coordenado, e cada uma de suas estruturas desempenha um papel específico na transformação da luz.
Toda a entrada de luz do meio externo até chegar à retina, faz parte do sistema ótico, propriamente dito. A sensibilização da retina se faz quimicamente, a luz convertida em impulsos elétricos, é transportada através do nervo ótico até o córtex.
Psicologia e Fisiologia da Cor A cor enquanto elemento perceptivo tem uma série de implicações na psicologia. Dessa Forma, a percepção da cor pode causar uma série de sensações, de acordo com cada cultura, o que costuma ser muito explorado pela publicidade. 

As cores no design de interiores não se restringem à pintura de paredes, tetos e pisos. As cores devem ser pensadas dentro do conjunto arquitetônico + mobiliário + acessórios e complementos e ainda deve ser considerado o projeto luminotécnico, sabendo-se que a aparência de um objeto é resultado da iluminação incidente sobre ele.
Espectro Visível  A cor é resultado de como o olho interpreta a reemissão da luz vinda de um objeto que foi emitida por uma fonte luminosa por meio de ondas eletromagnéticas; e que corresponde à parte do espectro eletromagnético que é visível (380 a 700 nanômetros). Ondas mais curtas (ou com maiores frequências) abrigam o ultravioleta, os raios-x e os raios gama. Ondas mais longas (com menores frequências) contêm o infravermelho, o calor,  as micro-ondas e as ondas de rádio e televisão. O aumento de intensidade pode tornar perceptíveis ondas até então invisíveis, tornando os limites do espectro visível algo elástico.
A Cor não é um fenômeno físico. Um mesmo comprimento de onda pode ser percebido diferentemente pelas pessoas (ou outros seres vivos animais), ou seja, cor é um fenômeno fisiológico, de caráter subjetivo e individual.


Segundo VERDUSSEN (1978), as cores podem tornar mais agradáveis os ambientes de trabalho ou amenizar condições não favoráveis, como a rotina e repetição de certas tarefas. Estados de depressão, melancolia e de fadiga são consequências comuns à permanência prolongada ou a realização de atividades em ambientes em que, entre outros motivos, a escolha das cores não atende a observação de seus possíveis efeitos. Assim, o estado de ânimo, ao fim de uma jornada, dependerá em muito, da influência do ambiente.

Um bom uso das cores considera antes, aspectos relativos à iluminação, ventilação e circulação. A seleção de cores para obtenção de resultados deve ser cuidadosa. Todos os aspectos devem ser cuidadosamente avaliados, como: idade, sexo, cultura, raça, crença e outros aspectos que possam influenciar no uso e efeito de cores.
Fig.1 - Círculo ou roda de cores

O círculo de cores apresenta a localização dos vários matizes principais ao redor de seu perímetro. As cores primárias são: vermelho, amarelo e azul. As secundárias são: laranja, verde e violeta e as complementares são aquelas opostas umas as outras no círculo. Além das cores, aparecem também as diferentes intensidades de cada uma. Nesse sentido, também devemos pensar na saturação, luminosidade, neutralidade, brilho, transparências etc.
Matiz é a proporção de cada uma das cores percebidas: vermelho, amarelo, verde e azul. Claridade é o atributo segundo o qual uma área aparenta mais ou menos luz. Saturação é a proporção de croma de uma cor em relação a sua claridade (mais ou menos cinza).


O significado das cores:
Diferentes áreas estudam as manifestações psíquicas das cores nos indivíduos. Sabe-se que as cores podem produzir as mais variadas sensações e emoções e embora essas manifestações sejam subjetivas, a maioria concorda com alguns aspectos comuns.

O emprego da cor em ambientes hospitalares vem transformando a rotina daqueles espaços, auxiliando no equilíbrio psicológico e psíquico dos pacientes, familiares e funcionários. A correta utilização das cores nesses ambientes, ampliam a capacidade cognitiva dos funcionários, exigida pelas condições ambientais e pela carga de responsabilidade.

As cores também estão presentes na organização e segurança dos espaços e enquanto portadoras de mensagens, podem ser utilizadas em projetos de sinalização ambiental.

Algumas características:
Amarelo cor quente, estimulante, de vivacidade e luminosidade. Tem elevado índice de reflexão e sugere proximidade. Se usado em excesso, pode se tornar monótono e cansativo. Boa para ambientes de trabalho intelectual | concentração, pois atua no SNC (Sistema nervoso central). É utilizado terapeuticamente para evitar depressão e estados de angústia. Como é um estimulante, não deve ser utilizado em quartos e ambientes de repouso. Os mais vibrantes, podem ser usados em ambientes pouco ensolarados, como em empenas na face sul.
Ouro, bronze e mostarda são cores quentes, ativas, ricas, sofisticadas e elegantes.
Os cremes podem ser utilizados em qualquer ambiente.

Azul mais associado a cultura ocidental, a fé, confiança, integridade, delicadeza, pureza e paz. O azul escuro dá a sensação de frieza e formalismo. Segundo Gurgel (2010), está ligado à lealdade, respeito e responsabilidade. Podem ser aplicados em locais de negócios e de trabalho, pois acalmam a comunicação. São repousantes e relaxantes, e também podem ser exóticos e ligeiramente estimulantes. Como refletem grande quantidade de luz, aumenta visualmente os ambientes.

Laranja cor estimulante e de vitalidade. Está relacionada com ação, entusiasmo, força e intelectualidade. Possui grande visibilidade, chamando a atenção para pontos que devem ser destacados.
Terracota, canela, caramelo e mel são quentes e energéticas, mas podem diminuir o tamanho dos ambientes. Utilize em livings e salas de TVs, pois são otimistas e estimulam a socialização, criatividade e divertimento.

Verde quando em tom claro transmite sensação de paz e bem estar. É equilíbrio, honestidade, estabilidade, confiabilidade, caridade, compaixão e esperança. Nossos olhos não precisam de esforço para se adaptarem a essa cor, por isso ela se torna tão relaxante. É uma cor que sugere tranquilidade dando a impressão de frescor. Por serem calmantes, em tons mais claros, podem ser usados em quartos de bebes. Tons escuros desta cor tendem a deprimir.
Pistache, verde-maça e lima estão ligados a frescura, pureza e limpeza.


Preto Sóbrio, masculino, impessoal e sofisticado. Por absorver a luz, diminui o tamanho dos objetos.
Cinza ligado a sabedoria e a idade. Funcionam bem quando utilizados compondo com cores quentes.

Branco inocência, fé, pureza, claridade, alegria e higiene. Use amplamente com a inferência de texturas e outras cores nas superfícies. Aumenta o tamanho dos objetos e dos ambientes e gera aproveitamento total da luz.

Vermelho cor estimulante. Desperta entusiasmo, dinamismo, ação, mas também a violência. Dá sensação de calor e força, estimulando os instintos naturais e sugerindo proximidade. Se usada em excesso pode irritar, desenvolver instabilidade emocional. Não é cor ideal para ambientes onde as pessoas permanecerão por longo tempo. Os vermelhos são estimulantes do apetite, mais do que laranjas e amarelos.
Tons fortes de vermelho em ambientes pequenos podem torna-los claustrofóbicos.
Rosa e pêssego aquecem, acalmam e relaxam. Estão ligados à fragilidade, feminilidade e delicadeza.
Magenta e cereja são quentes e encorajam a introspecção, porém quando acinzentados, tornam os ambientes elegantes e quentes.

Violeta e roxo ligados à sensibilidade, à intuição, à espiritualidade e à sofisticação, além de ajudarem no desenvolvimento da percepção. Estimula o lado artístico das pessoas, mas em excesso torna o ambiente agressivo e pode levar a melancolia e depressão. Sugere muita proximidade, contato com os sentimentos mais elevados e com a espiritualidade. Assim como o vermelho, o azul escuro e o verde escuro, não se recomenda o uso em grandes áreas. Em ambientes de trabalho, desestimulam e geram desinteresse.
Lavanda, por ser delicada e tranquila ajuda na autoestima, portanto deve ser utilizada em closets e salas de vestir.


Esquemas de cores
São combinações de cores existentes na natureza ou preestabelecidas por algumas regras básicas. Os esquemas de cores devem considerar a quantidade de cada cor, as texturas das superfícies onde forem aplicadas, a iluminação natural e artificial existente e a função dos ambientes.

Os esquemas podem ser classificados como harmônicos e contrastantes:
Harmônicos neste esquema, as cores não competem entre si. A ênfase maior será sempre a composição como um todo. Variedade de texturas não afeta o resultado final.
Contrastantes nesse esquema, as cores contrastam entre si. Entre tons ou entre cores fortes e suaves, o contraste é a base da composição. Esquema mais dinâmico.

Esquema acromático pode utilizar o branco, preto ou qualquer tonalidade de cinza, já que não são considerados cores. A utilização de texturas torna a composição mais dinâmica e interessante.

Esquema neutro utiliza tons de cinza da natureza, como areia, corda, algodão, canela, etc. Alguns profissionais consideram esse esquema também acromático.

Esquema monocromático composição feita pela aplicação de uma única cor e|ou suas tonalidades, bem como branco, preto, cinza. Caso seja adotado apenas uma cor, recomenda-se a variedade nas texturas. Na opção de diferentes tons, mais fortes com mais suaves, ajuda a dar movimento, volume e deixa a composição mais interessante.

Esquema análogo com ou sem a presença do branco. Preto e cinza fazem parte do esquema. Recomenda-se o contraste entre cores fortes e suaves para maior dinamismo.

Esquema complementar cores opostas no círculo cromático como vermelho|verde, azul|laranja, violeta|amarelo, branco|preto|cinza, rosa antigo|maça-verde.

Esquema triádico utiliza cores primárias em qualquer de suas tonalidades com ou sem a adição do branco, preto ou cinza, segundo Gurgel (2010). Existem outras definições para esse esquema, com base no esquema triangular (conforme figura 2).
Fig.2 - Esquema de cores



A aplicação das cores:
Um bom projeto considera que todos os elementos estarão inter-relacionados, interagindo e interferindo na resultante, de modo que devem ser pensados em conjunto. Todos os fatores atuantes no ambiente e que produzirão sensações nos usuários, deverão ser considerados. De forma geral, as diretrizes básicas para o projeto, são:

_ Introjetar o uso da cor é um dos recursos mais econômicos para promover mudanças em um ambiente, capaz ainda de promover alterações físicas, mentais e cognitivas;
- Toda cor afeta o usuário do espaço,
- A iluminação afeta a percepção visual da cor, então os projetos luminotécnicos e de cores devem ser resolvidos ao mesmo tempo;
- A cor deve ser pensada no sentido da sua capacidade perceptiva de reduzir ou ampliar espaços;
- Cores contrastantes, aumentam a fadiga do usuário do espaço;
- Tetos brancos proporcionam melhor iluminação, por seu maior índice de reflexão;
- Falando na psicodinâmica das cores, as frias tendem ao relaxamento, enquanto as cores quentes excitam o Sistema Nervoso Central favorecendo a vitalidade, mas em quantidade maior, também geram estresse;
- Considerar o propósito primeiro do esquema de cores: conforto visual num ambiente de trabalho e descanso; dignidade em ambientes hospitalares e religiosos; excitação em bares e boates; etc.
- Usar cores para individualizar espaços: trabalho, lazer, descanso, social etc;
- Cores mais intensas e vibrantes ficam melhores em ambientes de passagem, como corredores, escadas, banheiros ou depósitos;
- As cores em objetos menores, devem ser contrastantes em relação as bases onde estão inseridos;
- Colorir superfícies maiores em áreas de trabalho ou em locais onde a iluminação for fator importante, deve-se, para não interferir na distribuição da luz por reflexão e interreflexão, ampliar os índices de reflexão da luz;
- As tonalidades parecem diferentes segundo a cor de fundo da composição;
- As cores podem alterar o modo como vemos as formas|volumes do ambiente;
- As características das superfícies (textura, quantidade de luz incidente, tipo de acabamento etc), alteram a intensidade da cor;
- Um esquema de cores quentes, funciona melhor em regiões frias;
- Um esquema de cores frias, funciona melhor em regiões quentes ou em locais onde a face oeste tenha intensa insolação no verão;
- Um esquema de cores quentes, podem ser aplicadas em regiões quentes, desde que em empenas face sul;
- A utilização de cores frias ou quentes altera visualmente as características do ambiente;
- A utilização de cores frias amplia o tamanho dos espaços;
- A utilização de cores quentes, diminuí o tamanho dos espaços.



Fontes Bibliográficas:
ARNHEIM, R. Arte e percepção visual. Uma psicologia da visão criadora. São Paulo: Pioneira, 1998.
BARROS, Lilian Ried Miller. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe. São Paulo: SENAC, 2006. 335p. ISBN 8573594624
FRASER, Tom; BANKS, Adam. O guia completo da cor. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2007. 224p. ISBN 9788573595932
FRASCARA, Jorge. Communication design: principles, methods, and practice. New York: Allworth Press, 2004. 207p. ISBN 1581153651
GURGEL, Miriam. Projetando espaços: design de interiores. 3.ed. São Paulo: SENAC, 2010. ISBN 978-85-7359-917-6
TISKI-FRANCKOWIAK, Irene T., Homem Comunicação e Cor. São Paulo: Icone Editora, 2000.
VERDUSSEN, R., Ergonomia: a racionalização humanizada do trabalho. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1979.

O Design de Interiores e a Identidade Visual



      A identidade visual no design é ambivalente, pois constitui o objeto fisicamente (cor, textos e linhas) e de modo inatingível (sensações, sentimentos e emoções). Por sua vez, o design está impregnado pela identidade visual de forma material e imaterial. 
Para Aristóteles, a identidade é a unidade da substância “... sentido essencial, as coisas são idênticas do mesmo modo em que são unidade, já que são idênticas quando é um só em sua matéria...” (ARISTÓTELES apud ABBAGNANO, 1982, P 503). Leibniz (1982), redefiniu como conceito que precisa se estabelecido, diz ele “... a própria identidade pode ser estabelecida ou reconhecida como base em qualquer critério convencional.” 
Historicamente, a identidade visual no design consolidou-se mais fortemente a partir do século XVI com as manufaturas reais na Europa. A produção de tecidos, objetos de cerâmica e do mobiliário incorporaram imagens características do período, que referenciavam primeiramente o poder da corte e mais tarde seus costumes. 
A ideia de incorporar aos produtos do design a identidade visual como ferramenta de marketing _embora de forma incipiente e intuitiva_ revela-se à partir do século XVII e XVIII quando os produtos começam a receber rótulos, embalagem e sobretudo a propaganda. As imagens que integram o objeto de design do período em questão querem aproximar o produto do seu consumidor com apelos sentimentais (paisagens locais e regionais) ou da modernidade anunciada.


Design e identidade visual à partir do séc. XVI

Posterior ao período caracterizado como Revolução industrial, séculos XVIII e XIV, a indústria já tem domínio das ferramentas de marketing e a identidade visual passa a ser um valor imprescindível ao design. Com a Revolução Industrial a internacionalização dos produtos, transformou a identidade visual na ponte que liga o objeto ao usuário. A essa altura, indústria e designers buscavam mapear os domínios sensoriais dos consumidores para aprimoramento visual e identitário de seus produtos. Também nesse período, várias linhas de diferentes escolas surgiram (Arts and Crafts, Art Nouveau, Art Deco, Bauhaus, Ulm...), buscando suprimir os registros anteriores em nome de um novo e bom design, cuja linguagem, forma e materialidade estivesse conectada ao futuro e definitivamente livre do passado. Os produtos desse período são hoje avaliados como ícones de uma geração, que guardam em si toda força identitária da sua época.




     
Art Déco (Arts Décoratifs 1918-1939)
Reinou no período entre guerras. A era da máquina e o desenho industrial, ajudaram a conceituar o nascimento desse estilo, onde a curva foi substituída pela retilineidade e angularidade das linhas e formas. 


Art Decó 
(Arts Décoratifs 1918-1939)


      Art Nouveau (1890-1914) - Nascido entre a Bélgica e a França, suas raízes estão em Bruxelas e Paris. Foi vanguarda de 1890 até a Primeira Guerra Mundial.
Seus conceitos foram norteados pela modernidade, ruptura com o passado e também, pela eliminação da distinção existente entre a pintura, escultura e decoração.
Art Nouveau (1890-1914)


      Arts and Crafts - (final do século XIX e início do século XX)
    Surgiu na Inglaterra como reação contra a industrialização. Liderado por Willian Morris e C. R. Ashbee, que pediam a volta do modo artesanal de produção, também em nome de produtos mais acessíveis. O que provou-se um engano.
Art´s and Craft 
(final do século XIX e início do século XX)



      Bauhaus (1919-1933) - Criada em Berlim, Alemanha. A  escola seria a existente Weimar School of Arts and Crafts, renomeada pelo novo diretor, Walter Gropius. Foi criada inicialmente para proporcionar treinamento artesanal, onde o “saber” estaria ligado ao “fazer”. Após 1923 a escola passou para a “produção mecanizada” e a funcionalidade e a praticidade foi colocada acima da beleza.

Bauhaus - design gráfico
Bauhaus - design do mobiliário 
(1919-1933)


      De Stijl (Style 1917-1931) - Nasceu na Dinamarca após o final da Primeira Guerra Mundial, propondo simplicidade e abstracionismo. Alguns autores identificam o “neoplasticismo” como a filosofia artística desse movimento. De Stijl influenciou movimentos, estilos e escolas como a Bauhaus e o Estilo Internacional. Seus principais membros foram Theo van Doesburg (fundador),Piet Mondrian e Gerrit Rietveld


De Stijl 
(Style 1917-1931)



     Estilo Internacional(International Style 1932-1945) - Os conceitos minimalistas do Estilo Internacional aboliram todo e qualquer tipo de ornamento, tanto no design quanto na arquitetura. Le Corbusier foi fortemente influenciado pelos estilos da escola Bauhaus e pelo estilo internacional.

Estilo Internacional
(Villa Savoey, Le Corbusier)



Paralelo aos acontecimentos da industria e desenvolvimento do design, seguiam os estudos que buscavam compreender o desenho e o usuário e os envolventes desse imbricamento.
No campo da comunicação, a mensagem visual transmitida pelo produto, segundo Munari (1985), atuam nos sentidos com estímulos sonoros, térmicos, dinâmicos etc e provocam uma reação interna variável, determinada pelo contexto em que está inserido e transformado pelos filtros sensoriais, operativos e culturais do receptor.
O entendimento do design enquanto imagem geradora de significados, é sustentada por Ferrara (1986), que afirma que os signos constroem a imagem, que é codificada e retida na rotina do cotidiano e se revela a partir da exposição da lógica de sua linguagem. Nesse sentido, a linguagem é a grande força de socialização de um produto de design (PARK apud KOCH, 2009). A linguagem do design revela-se como o lastro da identidade visual e para Pignatari (1968), a ideia de informação está sempre ligada a ideia de seleção e escolha e desse modo, o design deve oferecer estímulos que possam ser interpretados pelo maior número de usuários. 
O design enquanto uma informação deve ser persuasivo e de alto poder de comunicação (SCHLESINGER apud KOCH, 2009). Pela definição da palavra estética (ais-thesys) que em grego significa “Percepção sensorial”, conclui-se que, estética enquanto adjetivo do design será também estímulo para o usuário. Todavia, a identidade visual apresenta-se dentro de um sistema complexo com ligações em áreas mais amplas do espaço e da cultura, envolvendo os seus aspectos em um processo de criação de sentidos. Portanto, a identidade visual no design será prevalente para um maior número de pessoas, quando se atribuírem a ele qualidades que contemplem além dos sentidos _ou a maior parte deles_, também os aspectos econômicos, sociais, culturais etc. 
A identidade visual, por fim, desempenha grande importância dentro do ensino da disciplina do design, pois para o designer a identidade permite avaliar a qualidade, durabilidade e longevidade dos seus produtos. Também possibilita ao futuro profissional entender os processos mentais do usuário e conciliar de forma objetiva os “estímulos e a interpretação”, para uma melhor e mais eficiente “representação”.

Referência Bibliográfica:
FERRARA, Lucrécia D’Aléssio. Leitura sem palavras. São Paulo: Ática (Série Princípios), 2000.
KOCH, Mirtes Birer. Parques Urbanos Sul-Americanos: Imaginação e Imaginabilidade. 2009. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo),  Universidade de São Paulo
MUNARI, Bruno. Design e Comunicação Visual. Lisboa: Editora 70, 2006
PARK, R. E. A cidade: Sugestão para a investigação do comportamento humano no meio urbano. In: VELHO, Otávio Guilherme (Org.) O fenômeno urbano. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973
PIGNATARI, Décio. Informação, Linguagem e Comunicação. São Bernardo do Campo: Atelier Editorial, 2002

25 de nov. de 2012

Global Design

          “O desenvolvimento de produtos permite a diferenciação, com uma nova combinação do luxo com artesanato, arte e moda.”  (Gilles Lipovetsky)


Decoração feita para a loja Estúdio Albus  
em Porto Alegre, inspirada no Brasil

         Yes! Nós temos bananas! 
        Sim, temos referências nacionais no nosso design de interiores, mas cada vez mais estamos entrando em uma transculturação das áreas do conhecimento, da informação e da tecnologia, o que permite aos projetos mais ousadia e novas experimentações.


Composição de estampas criada por Adriana Barra


          Os estilos são adaptações anatômicas e estéticas dos movimentos sociais, culturais, econômicos, religiosos e tecnológicos de uma sociedade. Surgem para suprimir necessidades que emergem do cotidiano das pessoas: seja pela funcionalidade, simbolismo ou estética. Com o tempo, essa miscelânea criada por regionalistas, vanguardistas e outras frentes criadoras, se combinam umas as outras, encadeando-se progressivamente e historicamente no acervo cultural de cada lugar.




           Um estilo não vem em substituição ao anterior. Vários convivem ao mesmo tempo, adaptados ao micro universo ao qual estão inseridos e agora ultrapassam suas aldeias, tornando-se símbolos da transculturação da aldeia global. 



15 de jun. de 2012

RIO + 20 e a Arquitetura Verde

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada na cidade do Rio de Janeiro, marca os vinte anos da Conferência da ONU Rio-92 ou ECO 92 como ficou conhecida. A expectativa é de conciliar uma agenda para o desenvolvimento mundial sustentável para as próximas décadas, renovando o compromisso dos países participantes.

Os conferencistas se dividem entre representantes governamentais, Chefes de Estado e do Governo dos países-membros das Nações Unidas, além de organismos não governamentais que juntos irão discutir o “zero draft” (minuta zero), que é um texto formatado a partir da analise das decisões tomadas e implementadas em Conferências anteriores, base para avaliar o progresso e as demandas não observadas. 

Os debates terão como temas principais, a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. O compromisso da Conferência é de criar instrumentos para aplicação de políticas e programas para um crescimento econômico sustentável, com redução das desigualdades sociais e proteção ambiental. Também, lançar discussões sobre as estruturas das instituições ambientais, no sentido de fortalecer as capacidades de trabalho do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), aumentando a provisão de recursos para apoio efetivo aos países em desenvolvimento.

A agenda 21 é um documento que foi adotado pela Conferência Rio-92 e é o principal instrumento para a reconversão do atual estado da sociedade industrial para uma sociedade mais equilibrada, justa e sustentável. Os princípios que norteiam o programa de ação da Agenda 21, foram estabelecidos por 179 países que em escala planetária, pretendem um novo padrão de desenvolvimento conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.

As cidades são temas dos principais debates e por extensão, a construção civil e a arquitetura verde. Essas discussões encampam desde infra-estrutura urbana até a criação de linhas de créditos para redução do déficit habitacional. Em análise específica as soluções construtivas que resultem em menor impacto ambiental e na qualidade da construção civil, as discussões revelam tendências de diferentes posturas governamentais pós-evento.

É esperado que sejam criadas políticas públicas para que as novas construções adotem equipamentos como, placas solares para aproveitamento da energia solar para aquecimento de água; placas fotovoltaicas para produção de energia; cisternas para armazenagem de água de chuva, além de outros dispositivos de controle do desperdício. A legislação criada para esse fim poderá ser punitiva ou preventiva. Alguns governos vão optar pela obrigatoriedade do uso de determinados equipamentos, sob pena de interrupção da obra ou de aplicação de pesadas multas. Outros buscarão estimular a adoção dos equipamentos como contrapartida, isso é, através da concessão de descontos no IPTU ou de outros impostos municipais. 

    O principal enfoque contudo, decorre pela existência da Conferência, que estimula a criação de mecanismos para a conscientização dos profissionais envolvidos na área quanto aos impactos decorrentes do processo construtivo. Uma construção verde é pensada desde o projeto e além da implementação de equipamentos tecnológicos, considera também os aspectos operacionais, os materiais utilizados de berço-a-berço, a destinação dos resíduos, enfim, cada etapa do processo.O ciclo de impactos gerados por uma obra se inicia no projeto, passa pela execução e utilização e inclui ainda a manutenção da mesma.

Uma perspectiva positiva a esse respeito seria a admissão obrigatória de disciplinas sobre sustentabilidade nos cursos de engenharia civil, arquitetura e design. Não podemos esperar grandes mudanças unicamente a partir das ações superficiais propostas, que consideram apenas o funcionamento da construção, quando na verdade o impacto já começa na confecção do projeto.

Poderíamos oferecer nas universidades, disciplinas de organização do processo de projeto e de execução para obras certificadas; laboratório para desenvolvimento e testes de novos produtos sustentáveis; canteiro de obras verdes; enfim, investir na capacitação dos profissionais da área e em pesquisas para novas práticas, materiais e tecnologias. É preciso atualizar o conceito que se tem da arquitetura verde, para reposiciona-la enquanto única alternativa coerente com os prognósticos do futuro do planeta e não apenas como mais um sistema ou estilo construtivo.

Investindo na qualidade dos profissionais, haverá melhora no desempenho das obras privadas e públicas, que redundará em melhora na qualidade de vida de todos os moradores e consequentemente, no arranjo das cidades. Se o maior desafio para os próximos anos é mantê-las funcionais e habitáveis, será igualmente importante investir em pesquisas sobre as novas formas de morar, trabalhar, estudar e de se locomover. Repensar a construção de fora para dentro e de dentro para fora, através de todos os seus autores: engenheiros, arquitetos, moradores e usuários, revirando os paradigmas que nos trouxeram até esse momento decisivo para a manutenção da vida urbana, com sustentabilidade. 

15 de abr. de 2012

Arquitetura e Sustentabilidade

        Há 40 anos meu pai iniciou a ocupação de uma área periférica em uma cidade do Mato Grosso do Sul com o parcelamento das terras que possuía. Implantou pequenas vilas conectando-as ao tecido urbano através do traçado já existente. Porém organizou edificações residenciais e comerciais nos terrenos de forma peculiar, de modo a liberar o núcleo da quadra para uso coletivo das famílias. Com barro extraído nas proximidades do terreno foram confeccionados tijolos e peças para revestimento que após serem prensadas em uma engenhoca manual, eram secas ao sol e pintadas por nossas mãos. O bambu, matéria prima também farta nos terrenos, foi trançado pelo meu pai que o transformou em divisórias, coberturas e móveis. O pé direito mais alto; as aberturas bem pensadas; os espaços externos arborizados e permeáveis e a convivência privilegiada.



            As pequenas células reúnem as famílias para conversar, trabalhar e brincar. As edificações comerciais administradas pelos próprios moradores oferecem à comunidade os produtos e serviços por eles produzidos. Meu pai transferiu seu conhecimento e técnica para a comunidade e algumas famílias hoje vivem da produção de utensílios de bambu.  A questão sustentável permeou toda operação, mas na época da construção não se falava em sustentabilidade. Na visão empreendedora do meu pai, tratava-se de aproveitar o potencial local em todas as suas possibilidades. 

                         Tive bons mestres. Meu avô materno era um apaixonado por praças e 
parques e acompanhei seu amor e dedicação aos espaços verdes públicos. Meu trabalho de mestrado em sua homenagem analisa questões ambientais urbanas, como a conservação das áreas verdes e de tudo que há sobre elas: história, cultura e imaginação. Patrimônios materiais e imateriais.



             Mudei-me várias vezes, conheci lugares, pessoas, culturas e arquiteturas. Observei, imaginei, tive ideias e executei projetos através de diferentes empresas e de forma independente. Vivenciei a arquitetura, o design de interiores, de móveis e objetos em projetos de edifícios residenciais, comerciais e corporativos, térreos e de múltiplos andares. Atuei projetando; coordenando o processo de projeto; acompanhando e administrando a execução; avaliando a pós-ocupação, enfim, explorei todas as frentes de atuação buscando sempre me guiar nas estratégias conciliatórias para a manutenção da qualidade ambiental. 



            Muita coisa mudou entre o Kibutz que meu pai fazia e o que fazemos hoje na construção civil. Ainda que empreguemos a legalizada, regrada e normatizada sustentabilidade, a explosão das cidades, o mau uso da tecnologia e do capital apartaram nossas construções da função primordial: o abrigo. A arquitetura talvez fosse mais saudável pela proximidade com métodos artesanais e por analogia, talvez tenha piorado com os métodos industriais. Uma contradição da humanidade: melhoramos a habitabilidade individual e pioramos o habitat coletivo.