30 de nov. de 2019
O envelhecimento e abandono das construções e das cidades
Aconteceram muitas tragédias nos últimos tempos - e todas evitáveis -, já que a maior parte foi por descaso às normas de segurança das construções e de seus ocupantes.
Foram rompimentos de barragens, incêndios de edifícios, enchentes, deslizamentos de encostas e colapsos parciais de pontes e viadutos. A sequência de tragédias, quase diária, é um acerto de contas das construções fora das normas de segurança e de proteção e combate a incêndio e principalmente, da falta de fiscalização e manutenção.
Alem do descompromisso de alguns construtores e fiscalizadores, nossas cidades - com seus edifícios e obras de arte, como pontes, viadutos e até a arborização e mobiliário -, estão envelhecendo e sem a devida manutenção, oferecem riscos aos usuários.
Aos profissionais da arquitetura e da engenharia, cabe fazer cumprir com rigor as leis e normas vigentes na execução dos projetos.
A manutenção dos edifícios é fundamental ao bom funcionamento e a segurança dos ocupantes. Vamos nos envolver com nosso ofício, no sentido de não permitir novos eventos trágicos como esses que estamos vivendo. Porque além dos limites da nossa responsabilidade, só podemos lamentar as vidas perdidas e torcer para que os responsáveis pelas tragédias não fiquem impunes!
- Queda de barragem, Samarco, Mariana, MG, 2015, 19 mortos e danos ambientais irreversíveis.
- Incêndio do Edifício Wilton Paes de Almeida, SP, 2017, 1 morte e 248 pessoas desalojadas.
- Incêndio do Museu Nacional do Brasil, RJ, 2018, perda irreparável de acervo histórico e científico.
- Queda da barragem da Vale, Brumadinho, MG, 2019, 157 moros, 182 desaparecidos e danos ambientais irreversíveis.
- Incêndio no CT do Flamengo, 2019, RJ, 10 mortos e 2 feridos com gravidade.
- Queda da ciclovia Tim Maia, RJ, 2016, 2018 e 2019, 7 mortos.
- Interdição de 2 torres com 106 apartamentos, por apresentar problemas estruturais, Vila Prudente, Morumbi, São Paulo, 2019.
- Acidentes com ciclistas, Brasil, 32 hospitalizados por dia.
- Prefeitura de SP, 2019, tem conhecimento de problemas estruturais em pelo menos 73 estruturas viárias urbanas no centro expandido, com infiltrações, armações metálicas expostas e rachaduras. Seis pontes, tem risco de colapso.
29 de nov. de 2019
Sistemas Estruturais e Prediais
É preciso considerar as interfaces entre o projeto arquitetônico e seus subsistemas.
Os sistemas
prediais são dinâmicos, respondem a mais solicitações e consequentemente sofrem
mais desgastes durante a vida útil, portanto, devem ser funcionais e de fácil
manutenção sem esquecer de proporcionar economia de recursos naturais.
Os espaços técnicos devem ser pensados conjuntamente ao projeto arquitetônico, mas nem sempre isso é feito. Deixar para resolver como serão instalados os sistemas prediais depois que o projeto arquitetônico está pronto pode gerar alterações significativas no projeto ou limitar os sistemas prediais.
Segundo Jourda (2013), os locais técnicos podem chegar a ocupar 15% da área construída, em se tratando de projetos sustentáveis. Pois equipamentos como radiadores térmicos, inversores, cisternas de coletas de águas pluviais entre outros, precisam de grandes espaços para instalação, operação e manutenibilidade.
Se o projeto foi concebido sem atender as demais disciplinas, ele provavelmente será alterado durante o processo de projeto na etapa de compatibilização, que é aquele momento onde todos os profissionais especialistas se juntam para sobrepor ao projeto arquitetônico todos os projetos (estruturais, hidrossanitário, elétrica, combate à incêndio etc). Nesse momento podem aparecer novas solicitações de espaços para sistemas e para a manutenção dos mesmos ao longo da vida do edifício.
A manutenibilidade dos edifícios é muito importante e que não pode ser esquecida. Ao projetar, pergunte-se: Tem espaço para reparos? É seguro? Tem espaço para reconfigurar ou implementar novos sistemas?
Não fazendo as adequações no projeto, nem na compatibilização, em último caso será feito na construção, o que geralmente não traz as soluções mais satisfatórias sob nenhum aspecto do edifício.
Perfurações de grandes dimensões para passagem de tubulações em vigas e pilares podem trazer problema para a estrutura. A execução de passagens transversais ou longitudinais devem ser analisados pelo engenheiro responsável, que vai definir as zonas neutras que não comprometem a viga, e evitar furos nas áreas coincidentes aos esforços de tração e ou compressão.
Bibliografia:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-6: Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos. Desempenho parte 6– Sistemas hidrossanitários. Rio de Janeiro, 2008.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SISTEMAS PREDIAIS. Manual de escopo de projetos e serviços de hidráulica. Rio de Janeiro: 2006.
GNIPPER, S. F. Diretrizes para formulação de método hierarquizado para investigação de patologias em sistemas prediais hidráulicos e sanitários. 2010. 307 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2010.
JOURDA, Françoise-Helène, 1955. Pequeno Manual do projeto sustentável. Ed. 1. São Paulo: Gustavo Gílio, 2013.
MELHADO, S. B. et al. Integração concepção – projeto– execução de obras. In: ______. Coordenação de projetos de edificações. São Paulo: O Nome da Rosa, 2005.
Os espaços técnicos devem ser pensados conjuntamente ao projeto arquitetônico, mas nem sempre isso é feito. Deixar para resolver como serão instalados os sistemas prediais depois que o projeto arquitetônico está pronto pode gerar alterações significativas no projeto ou limitar os sistemas prediais.
Segundo Jourda (2013), os locais técnicos podem chegar a ocupar 15% da área construída, em se tratando de projetos sustentáveis. Pois equipamentos como radiadores térmicos, inversores, cisternas de coletas de águas pluviais entre outros, precisam de grandes espaços para instalação, operação e manutenibilidade.
Se o projeto foi concebido sem atender as demais disciplinas, ele provavelmente será alterado durante o processo de projeto na etapa de compatibilização, que é aquele momento onde todos os profissionais especialistas se juntam para sobrepor ao projeto arquitetônico todos os projetos (estruturais, hidrossanitário, elétrica, combate à incêndio etc). Nesse momento podem aparecer novas solicitações de espaços para sistemas e para a manutenção dos mesmos ao longo da vida do edifício.
A manutenibilidade dos edifícios é muito importante e que não pode ser esquecida. Ao projetar, pergunte-se: Tem espaço para reparos? É seguro? Tem espaço para reconfigurar ou implementar novos sistemas?
Não fazendo as adequações no projeto, nem na compatibilização, em último caso será feito na construção, o que geralmente não traz as soluções mais satisfatórias sob nenhum aspecto do edifício.
Perfurações de grandes dimensões para passagem de tubulações em vigas e pilares podem trazer problema para a estrutura. A execução de passagens transversais ou longitudinais devem ser analisados pelo engenheiro responsável, que vai definir as zonas neutras que não comprometem a viga, e evitar furos nas áreas coincidentes aos esforços de tração e ou compressão.
Bibliografia:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-6: Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos. Desempenho parte 6– Sistemas hidrossanitários. Rio de Janeiro, 2008.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SISTEMAS PREDIAIS. Manual de escopo de projetos e serviços de hidráulica. Rio de Janeiro: 2006.
GNIPPER, S. F. Diretrizes para formulação de método hierarquizado para investigação de patologias em sistemas prediais hidráulicos e sanitários. 2010. 307 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2010.
JOURDA, Françoise-Helène, 1955. Pequeno Manual do projeto sustentável. Ed. 1. São Paulo: Gustavo Gílio, 2013.
MELHADO, S. B. et al. Integração concepção – projeto– execução de obras. In: ______. Coordenação de projetos de edificações. São Paulo: O Nome da Rosa, 2005.
31 de mar. de 2019
Piscina de Concreto + Blocos estruturais
(Nas fotos e filmes, a equipe de trabalho: Juarez, Joilson, Joislan e Ronaldo).
5 de mar. de 2019
5 de jan. de 2016
Importação de modelos urbanísticos: As Ciclovias e a cultura de andar de bicicleta (que não temos)
![]() |
| Amsterdam, 2018 |
Parte expressiva da formação do arquiteto urbanista é o estudo de planos, projetos e legislação urbanística de países americanos e europeus tidos como modelos referenciais. Desde as renovações pioneiras de áreas centrais como as de Londres e Glasgow (Grã-Bretanha), Barcelona e Bilbao (Espanha), de Berlin e Hamburgo (Alemanha), passando pela experiência de Cerdá em Barcelona, nos Jogos Olímpicos de 1992, até as requalificações de infraestrutura portuária, como a de Puerto Madero, em Buenos Aires, ou do Saint Katherine´s Dock, no Rio Tamisa, em Londres. Para enumerar alguns projetos sobre os quais, certamente, todo estudante de arquitetura e urbanismo já se debruçou.
As
cidades milenares são campo de intenso trabalho de remodelação, reavivamento e
reuso do tecido urbano. São camadas, palimpsestos[1] de projetos que avultam instrumentos legais para as
politicas públicas, além de tecnologia construtiva de restauro para reforma e construção.
A expertise internacional está sendo lapidada há séculos e tem eficiência
comprovável nas cidades europeias, através da conservação do patrimônio arquitetônico
e cultural, da ordem conscienciosa entre tudo e todos que convivem no meio
urbano e do abrangente sistema de modais de transporte público, que mantem a
fluidez dos moradores e visitantes e o uso integral dos espaços.
No
Brasil, os principais instrumentos internacionais de urbanização foram
transportados para o Estatuto da Cidade e para os Planos Diretores e
Estratégicos das grandes cidades. São Paulo, Rio de Janeiro,
Curitiba e Recife, foram algumas das cidades que implantaram festejados modelos de requalificação de áreas centrais e
portuárias. Se eles funcionam como lá fora, no entanto, é outra questão.
Alguns
críticos questionam a importação de modelos sem considerar as especificidades,
realidade local e fragilidades sociais e consideram que a adoção de
"ideias fora de lugar" (SCHWARZ, 1999, 98 apud MARICATO 2000, 121), é
solução, quando muito, parcial. A última
e mais marcante intervenção nacional, que tem os melhores precedentes em muitos
países da Europa, Ásia e América do Norte, é um exemplo dessa condição de
pertinência. Sim, estamos falando das Ciclovias na cidade de São Paulo.
Presumidamente,
o projeto de ciclovias implantado em São Paulo, não tem a adesão esperada. É
presunção pelo fato de não haver ainda, nenhum estudo publicado com dados sobre
um eventual aumento nas vendas de bicicletas; diminuição do número de carros
nas ruas; diminuição do número de pessoas nos transportes públicos; aumento do
número de locação de bicicletas nos bicicletários do metrô etc. Mais é visualmente
verificável em trechos pouquíssimos utilizados, onde se observam obstáculos
como árvores, buracos e desníveis, além da evidente falta de segurança causada pela
invasão de carros, motos e até ônibus nas ciclofaixas sem balizadores.
Uma
analise anterior às condições das ciclovias que queremos, é pensar os ciclistas
– que não temos. Andar de bicicleta é algo cultural e em cidades como Amsterdã
e Copenhague, mais da metade dos moradores pedalam diariamente, sem
necessariamente terem ciclofaixas ou pistas exclusivas. Também no Japão, onde existem pouquíssimas ciclovias e as bicicletas seguem sempre à esquerda dos
carros e todos juntos são responsabilizados por problemas que possam ocorrer no
convívio nem sempre fácil.
São
Paulo apresenta grande dimensão territorial, com topografia irregular e traçado
orgânico o que prejudica, quando não inviabiliza o deslocamento de veículos não
motorizados, fato que justifica o paulistano não ter culturalmente o hábito de
andar de bikes nas ruas. Afora a lacuna na cultura, as ciclovias por si só não resolvem,
pois é preciso oferecer também modais para vencer os quilométricos percursos dos
trabalhadores e prováveis usuários. Quem sabe até uma balsa sobre o rio
Pinheiros?
Será
que faltou um planejamento integrado? Será que a Prefeitura deveria criar incentivos
para a aquisição e uso de bicicletas (nos moldes do que o governo federal fez
para vender mais carros)? Será que novas leis deveriam ser criadas para
disciplinar o compartilhamento do trânsito?
Seja
como for, depois de décadas aplicando inalterados modelos urbanísticos, temos
alguns “estudos de casos nacionais”. Esses tropeços nos ensinaram que bons modelos
urbanísticos, como as ciclovias, podem e devem ser adotados, desde que adaptados
à realidade local.
Referências Bibliográficas:
Maricato, Ermínia. As idéias fora do lugar e o lugar fora das
idéias. Em A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. 2000 – Editora
Vozes
Sites:
http://veja.abril.com.br/blog/cidades-sem-fronteiras/transporte-e-transito/ciclovias/
http://www.japaoemfoco.com/regras-para-quem-anda-de-bicicleta-no-japao/
[1] Substantivo
masculino. Papiro ou
pergaminho cujo texto primitivo foi raspado, para dar lugar a outro. (http://www.dicionarioinformal.com.br/palimpsesto/)
2 de set. de 2014
Como organizar livros na estante
“A house that has a library in it has a
soul.” (Plato)
Considere
cada caso. Algumas estantes serão apenas decorativas e seguirão as mesmas regras
do design do ambiente. Mas, na maioria dos casos, as estantes serão constantemente
manipuladas e o desafio é criar uma organização funcional que também seja
bonita.
Quanto ao desenho da estante:
·
Materiais: Madeira Natural ou industrializada; com
estrutura de ferro ou alumínio e prateleiras em vidro ou madeira.
![]() |
| Estrutura de alumínio com prateleiras de madeira - foto: Pinterest |
![]() |
| Ferro, de Ettore Sottsass - foto: elle.fr |
· Acabamentos: com ou sem revestimento laminado, pintada ou envernizada.
![]() |
| Bookcase - Gio Ponti |
·
Diferentes formatos: Piso-teto; meia parede;
ondulada; circular; nichos suspensos; prateleiras com mão francesa; com ou sem
gavetas; com ou sem portas; com ou sem fundos.
![]() |
| Nichos abertos - foto Pinterest |
·
As medidas ideais estão entre 35,0 a 40,0cm de
altura e 30,0 a 40,0cm de profundidade.
·
Iluminação especial: nos fundos; direcionado (na
lombada dos livros); na parte superior.
·
Considere o uso de caixas auxiliares para revistas,
acessórios como aparadores e divisores de livros e objetos
decorativos (quadros, vasos, etc).
![]() |
| Divisores divertidos - foto: Pinterest |
![]() |
| Aparadores para livros |
Quanto ao ambiente:
·
O uso da cor promove alterações físicas, mentais e
cognitivas nos usuários do espaço, portanto considere o propósito do esquema de
cores de acordo com o caráter do ambiente, que pode ser sóbrio e introspectivo
(cores frias como o azul e o cinza) ou alegre e coletivo (cores quentes como o
vermelho e o amarelo).
![]() |
| Ambientes neoclássicos em azul - fotos: Tumblr |
![]() |
| Modulados em cinza e preto - fotos: espritdesign e Pinterest |
![]() |
| Modulada - foto: Pinterest | Ettore Sottsass - foto: elle.fr | livros organizados - foto: Pinterest |
![]() |
| Ondulada - foto: retreatbyhandomhouse | Colorida - foto: casaejardim Maarten de Ceulaer |
·
A iluminação deve contemplar focos direcionáveis em
pendentes, luminárias e abajures, além da iluminação geral, para maior conforto
visual.
·
A ventilação e insolação devem ser evitadas diretamente
sobre os livros, mas devem ser pensadas no sentido de manter o ambiente salubre
e confortável.
·
Nos ambientes de leitura, distribuir poltronas
individuais, confortáveis e com apoio para os pés, com mesas laterais e
iluminação direcionável com lâmpada que não aqueça o ambiente. Pontos elétricos
para ligar cabos de computadores e demais eletroeletrônicos.
Quanto aos
livros:
·
Se a capa estiver velhinha, a solução é encapar
novamente com papel interessante, liso ou estampado ou com tecido.
·
Para conservação das bordas das páginas que ficam
expostas à poeira, basta passar uma folha de sulfite sobre a borda desprotegida,
prendendo entre as capas as duas extremidades da folha.
·
A limpeza deve ser semanal, a seco,
preferencialmente com espanador de penas.
Quando o
assunto é organização de livros, existem muitas fórmulas para criar estantes visualmente atraentes, principalmente, quando compor prateleiras é uma questão
apenas cenográfica.
Em alguns
locais, como nos ambientes de show room de lojas ou em mostras de decoração ou
em salas de espera de grandes escritórios ou empresas, a estante de livros será
unicamente decorativa e nesses casos, o planejamento segue as mesmas regras do
decôr do ambiente quanto aos materiais e cores. O ideal é criar uma estante
harmônica, com objetos bem escolhidos em quantidade, tamanho e cores. A escolha
dos livros será de acordo com a cartela de cores do ambiente e com a altura e
largura dos nichos. Os objetos de decoração, também serão planejados e
definidos em função do tamanho dos nichos e espaço entre os livros, ainda pela
cor e textura.
Existem em
São Paulo sebos especializados em livros para fins decorativos, como “O Belo
Artístico”, no Jardim América, “Sebo Liberdade” e o “Sebo do Messias”, ambos na
região central. Os livros são vendidos por unidade ou metro linear. (ver mais
sobre: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2013/05/1272859-sebos-vendem-livros-por-metro-para-decoracao-de-escritorios-e-residencias.shtml).
![]() |
| Lombadas de livros antigos |
Muito mais comum, porém, é a organização de estantes “vivas” em casas, escritórios e empresas onde os usuários do ambiente serão leitores de fato e os livros constantemente manipulados.
Existem
várias formas de organizar funcionalmente uma estante. A mais comum é aquela
encontrada nas livrarias e bibliotecas, onde os tomos são separados por autores,
gêneros ou títulos. Mas, esse modelo é unicamente funcional e a resultante é
uma estante com livros misturados (cores e tamanhos), sem nenhuma atração
estética.
Então, como
organizar uma estante “viva” funcionalmente e ainda assim, contribuir para o
decôr do ambiente?
A estética
pressupõe o equilíbrio visual, então teremos que trabalhar com os tamanhos e
cores das capas. Considere que os livros têm tamanhos padronizados, como os
14×21cm, 16×23cm, 21x28cm, de bolso, os Paperbacks e Hardcovers. Comece por separar os
livros por lotes:
- livros já lidos;
- à serem lidos;
- eventualmente consultados e
- sempre à mão.
Dentro de cada lote, separe por tamanho, por cor e textura da capa e lombada
(tem livros de couro, papelão etc), de modo a fazer pequenos blocos de livros
de acordo com seus tamanhos e cores. Organize as pequenas pilhas começando com o maior até o menor livro, disponha os volumes empilhados na horizontal e na vertical, intercalando com objetos de decoração.
Cadastre em uma planilha Excel todos os livros, de acordo com as posições dos blocos na estante. Existem aplicativos para gestão dos livros, como o Alfa eBooks Manager, programa gratuito para Windows que permite que você organize seus livros físicos (de papel) e livros digitais em uma biblioteca virtual.

![]() |
| Organização por cor - foto:lolahome |
![]() |
| Organização por cor - foto: Pinterest |
![]() |
| Pilisborosjeno, Pest, Hungary foto: archdaily |
Cadastre em uma planilha Excel todos os livros, de acordo com as posições dos blocos na estante. Existem aplicativos para gestão dos livros, como o Alfa eBooks Manager, programa gratuito para Windows que permite que você organize seus livros físicos (de papel) e livros digitais em uma biblioteca virtual.
GLOSSÁRIO:
Hardcover book - livro de
capa dura, encadernado com papelão, tecido ou couro.
Paperback book - livro de
capa de papel, brochura, livro de bolso.
30 de jul. de 2014
O Significado do Objeto
A IKEA é uma
companhia privada, de origem sueca, fundada em 1943, apresentou em uma
exposição em Lyon, França, um apartamento de 100m² com móveis
superdimensionados que convidavam os visitantes a reviverem sua infância.
O realismo
fantástico visto nas novelas “Saramandaia” (Dias Gomes, 1976) e “Meu Pedacinho
de Chão” (Benedito Ruy Barbosa, 1971) popularizou esse gênero que se manifesta através
de personagem que vira lobisomem em noite de lua cheia, que tem asas que brotam
da corcunda e que explode de tanto comer. De cavalo inanimado que se movimenta
através de engrenagens, de figurino elaborado com bugigangas impensáveis e de cenários
coloridos e fortemente expressivos.
E as reflexões
propostas – por vezes dolorosas -, se afloram nesse cenário de encantamento.
Na literatura,
em especial “Cem Anos de Solidão” (1967), obra máxima do realismo fantástico
Latino americano do colombiano Gabriel García Márquez, o leitor mentalmente compõe
os cenários descritos no livro. Desenha mentalmente as muitas gerações de
Arcádio, Aureliano e Amaranta, enquanto espera que o pergaminho se revele à
medida da morte de algum personagem. Novamente, a narrativa fundida com
elementos fantásticos e fabulosos, é usada para complementar a palavra, num
tempo de ditadura e de vigilância cerceante.
O realismo
mágico, também se manifestou nas artes e arquitetura e influenciou notáveis
escritores como o cubano italiano Ítalo Calvino (1923-1985), que escreveu “As
Cidades Invisíveis” (1972) um substrato de reflexões acerca do urbanismo.
![]() |
Realismo mágico
nas ruas: Os Gêmeos
|
![]() |
| Realismo mágico de Carlos Arturo Torres Tovar, para a Peugeot |
![]() |
O realismo fantástico no espaço
|
No outro extremo da comunicação visual do teatro o Teatro do
Absurdo nasceu do Surrealismo, explora os sentimentos humanos quando nos
limites da neurose e rompe com a lógica aristotélica. O siciliano Luigi
Pirandello (1867-1932) ajudou a revolucionar essa arte performática e sobre o simbolismo
do objeto escreveu:
“Cada objeto[1]
costuma transformar-se, em nós, segundo as imagens que evoca e reúne, por assim
dizer, em seu redor. É claro que um objeto também pode agradar por si mesmo,
pela diversidade das sensações agradáveis que suscita em nós numa percepção
harmoniosa; mas bem mais frequentemente, o prazer que um objeto nos dá não se
encontra no objeto em si mesmo. A fantasia embeleza-o, cingindo-o e quase projetando
nele imagens que nos são queridas. Nem nós o percepcionamos já tal qual como
ele é, mas quase animado pelas imagens que suscita em nós ou que os nossos
hábitos lhe associam. No objeto, em suma, nós amamos aquilo que nele projetamos
de nosso, o acordo, a harmonia que estabelecemos entre nós e ele, a alma que
ele adquire só para nós e que é formada pelas nossas recordações. Luigi Pirandello (1867-1932)
O objeto, segundo
Pirandello, é parte real e parte significado. É uma cadeira de balanço e é o
local onde minha avó se balançava por horas. É uma janela e é a minha interface
com a cidade. O objeto enfim, é significante e significado.
Martin Julius Esslin, um
austríaco produtor, argumentista, jornalista, adaptador, tradutor, crítico,
acadêmico e erudito professor de arte dramática (Ufa!), cunhou o termo
"Teatro do Absurdo" em seu trabalho hômonimo de 1962. Outros estilos são por vezes confundidos com o
teatro do absurdo, como o Vaudeville,
Nonsense e Burlesco,
mas algumas singularidades o tornam único conforme definido por Esslin:
“O teatro do
absurdo se esforça por expressar o sentido do sem sentido da condição humana, e
a inadequação da abordagem racional, através do abandono dos instrumentos
racionais e do pensamento discursivo e o realiza através de 'uma poesia que
emerge das imagens concretas e objetificadas do próprio palco.“ (Martin Esslin, 1918-2002)
O teatro do absurdo influencia a mensagem
através dos objetos cênicos, da iluminação densa e utópica e dos figurinos.
Esperando Godot (1952), escrita pelo dramaturgo Irlandês Samuel
Beckett (1906-1989), é considerada a principal
obra do teatro do absurdo e a
abordagem estética das muitas montagens, sempre se faz pelo vazio, a estrada, a
árvore e a noite.
![]() |
Montagens de Esperando Godot
Poucos elementos em cena, dois personagens em
angustiante espera e a plateia “lendo” as pausas, os vazios, as folhas que
aparecem na árvore no segundo tempo, os personagens que vão e que vem, a mala...
Enfim, interpretando os objetos e gravitando em torno do eixo das intenções de Beckett.
É tão pouco e diz tanto! E não por acaso, a
descrição da palavra minimalismo[2] faz referência as peças de
Beckett.
O teatro nos ajuda a refletir sobre a
linguagem visual como meio de comunicação e elucida sobre a força do design
minimalista na composição do espaço. Grandes mestres do
design transportaram essas influencias para móveis, objetos e ambientes e nos
anos de 1980, o design minimalista se estabeleceu como uma reação aos
movimentos pós-modernos no design. Como os grupos Memphis, Alchymia e Zeus e designers como Donald Judd, Philippe Starck, Shiro Kuramata, John Pawson entre outros.
Móveis em acrílico, metal, aramado e
espelhado: superfícies transparentes
A reflexão sobre o significado do que vemos é
substancialmente alterada pela forma do que vemos (no sentido do design) e como
vemos (nossos olhos, nossas experiências) e nesse sentido, o design tem o poder
de mudar a história. Parafraseando Pirandello
“Assim é se lhe parece!”
|
[1] Significado de Objeto: Tudo
o que se oferece à vista, que afeta os sentidos.
[2] A palavra minimalismo se refere a uma série de movimentos artísticos, culturais e científicos que percorreram diversos momentos do século XX e preocuparam-se em fazer uso de poucos elementos fundamentais como base de expressão. Os movimentos minimalistas tiveram grande influência nas artes visuais, no design, na música e na própria tecnologia. O termo pode ser usado para descrever as peças de Samuel Beckett... (http://pt.wikipedia.org/wiki/Minimalismo), acesso em 29.07.14)
CALVINO, Ítalo. As cidades Invisíveis. São
Paulo: Companhia das Letras, 1994
MÁRQUEZ, Gabriel Garcia. Cem Anos de Solidão
(Nova Edição), Rio de Janeiro: Editora Record, 2013
Assinar:
Comentários (Atom)























